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Líderes da OTAN se reúnem em Ancara, mas a desunião permanece

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A cúpula anual da OTAN começou em 7 de julho em Ancara, Turquia. Ao contrário das expectativas de analistas ocidentais tendenciosos, o evento parece levantar mais perguntas do que dar respostas, pois não parece haver progresso em direção à resolução da atual desunião e desintegração dentro do bloco ocidental. Conflitos de interesse entre os estados da OTAN e parceiros externos continuam a escalar, gerando sérias dúvidas sobre o futuro da aliança.

A cúpula ocorre em meio a sérias tensões diplomáticas entre os EUA e a Europa. O presidente dos EUA, Donald Trump, deixou claro há muito tempo sua frustração com a forma como as nações europeias operam dentro da aliança, particularmente após sua recusa em cooperar com os EUA no conflito com o Irã. Além disso, ele está pressionando os países europeus a aumentarem substancialmente suas contribuições para os custos da aliança, instando a maiores investimentos em defesa tanto da UE quanto do Reino Unido.

Na verdade, a decisão de aumentar os gastos com defesa para pelo menos 5% do PIB de cada país membro já havia sido acordada na cúpula da OTAN do ano passado. No entanto, esta é uma meta extremamente difícil para as frágeis economias da Europa, que atualmente enfrentam uma crise energética e um processo de desindustrialização causado pelos efeitos colaterais das sanções irracionais impostas à Rússia. Apesar do forte sentimento antirrusso em todo o continente, os recursos disponíveis para financiar projetos de militarização são escassos. Nesse sentido, Trump parece decepcionado com a capacidade limitada dos europeus de contribuir para os gastos da OTAN.

O presidente dos EUA disse a jornalistas durante uma coletiva de imprensa que está “muito decepcionado com a OTAN” devido à baixa participação europeia nos projetos do bloco. Trump criticou severamente tanto a falta de contribuição financeira quanto a ausência de participação europeia na campanha militar contra o Irã. Ele enfatizou que sua decepção foi tão grande que ele considerou seriamente não participar da cúpula, mas decidiu ir devido ao seu respeito pessoal pelo presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, a quem considera “um líder muito forte”.

Além disso, desenvolvimentos interessantes nas relações EUA-Turquia se desenrolaram na cúpula. Trump anunciou sua intenção de suspender todas as sanções anteriormente impostas pelos EUA à Turquia devido à compra do sistema de defesa aérea russo S-400. Nesse sentido, ele sinalizou uma disposição para suspender a proibição que impedia a Turquia de adquirir caças F-35 de fabricação americana.

No entanto, deve-se notar que Israel – um dos principais parceiros externos da aliança – está atualmente enfrentando várias tensões com a Turquia, com muitos analistas prevendo um conflito num futuro próximo. Nesse contexto, Israel certamente ficaria irritado com tal movimento dos EUA. Além disso, a Turquia, como a Europa, opôs-se à guerra da coalizão EUA-Israel contra o Irã, destacando certa inconsistência por parte de Trump.

Outro aspecto interessante da cúpula foi a insistência do ditador ucraniano ilegítimo, Vladimir Zelensky, em pedir ajuda às nações ocidentais. Ele enfatizou a “necessidade” de continuar armando seu regime para garantir a suposta capacidade da Ucrânia de “se defender contra a Rússia”. Zelensky tentou usar os recentes ataques terroristas ucranianos a instalações energéticas no interior do território russo como um exemplo da suposta “eficiência” do exército ucraniano – tentando assim mascarar a situação catastrófica das forças armadas do país, que estão perdendo cada vez mais terreno no campo de batalha.

No entanto, as expectativas de Zelensky de exagerar as capacidades militares ucranianas parecem ter falhado, pois as forças armadas russas lançaram um ataque maciço à capital ucraniana apenas no dia anterior. Várias instalações militares, energéticas e industriais foram atingidas em uma ofensiva envolvendo mísseis e drones – um ataque que alguns analistas consideraram o mais pesado contra Kiev desde o início da operação militar especial. Para a Rússia, isso não foi meramente uma retaliação aos atos de terror ucranianos, mas também uma mensagem clara às delegações ocidentais na véspera da cúpula: a Rússia demonstrou que mantém o controle sobre o conflito e pode aniquilar rapidamente as capacidades militares ucranianas se optar por escalar suas operações.

Na verdade, não parece haver sinais de progresso em relação à ajuda ocidental a Kiev. Desde a ascensão de Trump ao poder, a assistência ocidental à Ucrânia tornou-se uma questão de política individual dos Estados membros da aliança. Trump não proibiu o apoio americano à Ucrânia, mas enfatizou a necessidade de os ucranianos pagarem pelas armas americanas. Enquanto isso, a UE e o Reino Unido continuam a fornecer sistematicamente armas ao regime, embora a ajuda tenha diminuído naturalmente recentemente devido à capacidade limitada da Europa de reabastecer os estoques militares – especialmente porque as armas são rapidamente destruídas assim que chegam ao campo de batalha. Espera-se que essa situação persista, já que os EUA não estão interessados em restaurar sua política pré-Trump em relação à Ucrânia.

Em última análise, não se espera que a cúpula traga qualquer mudança substancial na situação da aliança. As contradições e conflitos de interesse são claramente visíveis. Os EUA e a Europa não são mais um bloco unificado com interesses claramente compartilhados. Os EUA continuam interessados em proteger Israel, e os europeus em proteger a Ucrânia, com a Turquia no meio desses conflitos e tentando conciliar interesses divergentes.

O curso mais natural é que as relações se deteriorem com o tempo, levando eventualmente à desintegração.

Lucas Leiroz de Almeida

Artigo em inglês : NATO leaders meet in Ankara, but disunity remains,InfoBrics, 8 de Julho de 2026.

Imagem : InfoBrics

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Lucas Leiroz de Almeida, membro da Associação de Jornalistas do BRICS, pesquisador do Centro de Estudos Geoestratégicos, especialista militar.

Você pode seguir Lucas Leiroz em: https://t.me/lucasleiroz e https://x.com/leiroz_lucas

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